quinta-feira, 4 de março de 2010

Os games cancelados de Indiana Jones - Parte II


Fate of Atlantis foi um sucesso tanto comercial quanto de crítica, inevitavelmente levando a LucasArts a procurar por um novo game que explorasse a franquia. Para isso, Harl Barwood - o homem por trás do sucesso de Atlantis - trabalhou numa ideia chamada Indiana Jones and the Iron Phoenix.

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Indiana Jones and the Iron Phoenix


Diferentemente das aventuras anteriores, a trama situa-se após a II Guerra Mundial. Indy encontraria na arrasada Alemanha artefatos químicos e manuscritos antigos contando a história da Pedra Filosofal. No caminho de Dr. Jones estariam os soviéticos sob a liderança de uma linda comandante chamada "Camarada Major Legs". Mas este não seria o maior dos problemas de Indy, já que os remanescentes do Terceiro Reich exilados secretamente na Bolívia pretendiam dominar o mundo de novo ressucitando Hitler com a Pedra Filosofal.

Foi ideia de Harl - que trabalhou como consultor de história neste projeto - encontrar um artefato que permitisse aos nazistas do pós-guerra escondidos na Bolívia ressucitar o Fuhrer das cinzas. O novato Joe Pinney foi incubido do game e trabalhou durante algum tempo nele até deixar a empresa com um roteiro inacabado. Assim o projeto foi para as mãos de Aric Wilmunder, que reescreveu a história e o design do game.

O projeto começou em 1993 e foi cancelado em 1995 devido a inúmeros problemas:
  • A LucasArts acreditava que seria apropriado contratar terceiros para desenvolver o game (algo comum atualmente). Segundo Aric Wilmunder, "o presidente da LucasArts foi contactado por uma empresa canadense que queria trabalhar conosco, então por 3 meses nós tentamos ensiná-los como construir o projeto, mas eles nunca foram capazes de oferecer a qualidade necessária".
  • Após o fracasso com a empresa canadense, Wilmunder teve de abandonar o projeto no meio do processo de criação conceitual do game.
  • O estilo visual do personagem criado pelo animador de personagens chefe Anson Jew entrou em conflito com planos de fundo criados pelo artista chefe Bill Stoneham. Anson relembra os detalhes do projeto e explica o conflito: "Era de senso comum desde o início que a aparência dos personagens seria processada de forma realista como em The Dig ou Fate of Atlantis (ambos nos quais trabalhei) em oposição à aparência linear de Full Throttle ou Day of the Tentacle. A principal melhoria é que os personagens seriam duas vezes maiores que em Dig e Atlantis e diferente destes games, teriam proporções humanas normais. Para criar Indy, eu comecei com o Indy de Atlantis e dobrei seu tamanho no D-Paint/Animator e ajustei sua anatomia para proporções mais realistas. O que descobri foi que do ponto de vista do rendering, coisas que você faria com um personagem de 24 pixels de altura, você não conseguiria fazer com um de 50 pixels. A fim de obter uma aparência mais 'renderizada' em um personagem grande, mais cores seriam necessárias para evitar bordas."


Artes conceituais de Bill Stoneham.
  • "Fazer personagens grandes com um número insuficiente de cores resultou em personagens que pareciam planos como desenho animado (daí o rótulo Art Deco atribuído aos personagens criados por Jew). Eu falei várias vezes com os líderes do projeto para atribuir mais cores à paleta de animação para resolver isso, mas sem sucesso. Fazer Indy parecer Art Deco nunca foi minha intenção." - Anson Jew.

Sequência de quadros tirados de uma animação teste por Anson Jew
  • Após 15 meses de produção, a LucasArts mostrou o game no European Computer Trade Show. Lá, os parceiros alemães da empresa alertaram que o game não poderia se vendido na Alemanha pois as leis de censura proibiam a venda de brinquedos que explicitamente retratassem nazistas. Jogos anteriores de Indy foram vendidos lá removendo suásticas e referências a Hitler, mas ressucitar soldados nazistas era parte integrante da história do game. Como a Alemanha era um grande mercado para games adventure e para a LucasArts em especial, sem as vendas lá, a LucasArts não poderia recuperar o investimento e o game recebeu o golpe final: o cancelamento.
Todas estas barreiras extenderam a produção mais que o aceitável, então o projeto foi colocado em espera indefinidamente. Mas a saga não acabou por aí, como Aric Wilmunder explica: "Alguns meses depois, ressucitamos o projeto usando meu design, mas usando atores reais contra telas azuis para ver se era possível substituir a maioria das animações feita à mão por close-ups e vídeos com atores reais. Escalamos um ator para Indy, filmamos por dois dias, mas a cenas nunca foram integradas ao jogo. Aprendemos com a experiência e utilizamos a abordagem em Rebel Assault."

A história foi adaptada pela Dark Horse em uma série com 4 capítulos, vagamente baseada no roteiro original do game. Por exemplo, a localização da base secreta nazista na América do Sul e o uso de Hitler como vilão não foram utilizados. Parece que o roteiro original foi "amenizado" para os quadrinhos.




No próximo post, Indiana Jons and the Spear of Destiny.



Parte I

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